Foto: FGVces

Nos últimos anos, a questão da informação confiável e de qualidade vem se tornando um desafio sério no contexto das redes sociais e da comunicação digital. Ao mesmo tempo em que o advento da internet e de novos meios democratizaram o acesso e a produção de conteúdo de comunicação, esses processos também permitiram a proliferação de informações e notícias sem embasamento, alimentando tensões e frustrações políticas, econômicas e sociais em muitos países.

Falar sobre sustentabilidade em um contexto tão complexo requer muito mais do que informação de qualidade. Precisamos construir novos modelos de comunicação, aproveitar as ferramentas digitais de modo construtivo e dialogar com os diferentes públicos.

Há 11 anos, muito antes da pauta da sustentabilidade ganhar algum espaço na mídia tradicional, o FGVces foi pioneiro ao desenvolver a Revista Página22, com o objetivo de sensibilizar, informar e engajar um público mais amplo, não necessariamente especializado, nos temas e questões da sustentabilidade. Ao abordar diferentes assuntos – de diversidade a saneamento básico, passando por agronegócio e energia renovável –, a Página22 provoca análises e debates, atua como radar de tendências e apresenta caminhos propositivos. Tudo isso de forma democrática, uma vez que todo o conteúdo pode ser acessado, reproduzido e compartilhado livremente, mediante licença Creative Commons.

Desde 2016, a Página22 tornou-se totalmente digital, publicada de forma intercalada com a P22_ON, um formato que pretende traduzir o conteúdo técnico gerado pelas pesquisas desenvolvidas pelo FGVces, disseminando o conhecimento para um público mais amplo a partir de uma linguagem didática, atraente e acessível.

Atualmente, a Página22 é considerada uma das principais referências em sustentabilidade no mercado jornalístico brasileiro, e seu conteúdo é usado por formadores de opinião e multiplicadores de conhecimento, além de ser fonte de informação e pautas para outros veículos de comunicação no Brasil. O alcance de seu trabalho também vem crescendo, já que algumas das edições recentes de P22_ON também estão disponíveis em inglês.

DESTAQUES

Em 2017, além da publicação de artigos, matérias e referências no site, a Página22 explorou em suas edições dois temas sociais importantes na agenda pública brasileira, envolvendo públicos que representam minorias políticas: o feminismo e as periferias.

A edição 106 (fevereiro/março) tratou do debate sobre feminismo para além dos temas comumente abordados no âmbito da diversidade de gênero, tais como desigualdade salarial entre mulheres e homens e a participação feminina em cargos de chefia. Página22 propôs avançar o debate sobre feminismo na direção de temas considerados tabus, como a prostituição e a pornografia. Embora sejam assuntos delicados e controversos, eles precisam ser encarados quando se discute seriamente o papel da mulher na sociedade.

Já a edição 107 (junho) explorou os desafios e as possibilidades das periferias – um espaço que reúne parte significativa da população brasileira, mas que sofre com a falta de oportunidades e as desigualdades sociais. O contraste do espaço de escassez é a riqueza que a periferia também possui: sua imensa criatividade, o forte relacionamento comunitário, a enorme expressividade cultural, que tornam as periferias um verdadeiro celeiro de ideias e inovações, com inúmeras potencialidades.

Lançamento da Edição Especial sobre desafios e as possibilidades das periferias – Foto: FGVces

Realizada em parceria com a Fundação Tide Setubal como Projeto Especial e lançada durante evento no Auditório Nove de Julho, na FGV EAESP, a edição traz as diferentes vozes que compõem esse espaço e convida gestores públicos a aprofundar o olhar sobre esses territórios tão valiosos e incrivelmente ainda pouco compreendidos.

Além das edições de Página22, foram lançadas três edições de P22_ON, explorando temas relevantes da agenda da sustentabilidade a partir do trabalho desenvolvido pelo FGVces.

Em fevereiro, a P22_ON tratou do tema de desenvolvimento local e mostrou que ele vai muito além do crescimento econômico e da riqueza material proporcionada por investimentos em grandes obras de infraestrutura, como as que temos em várias regiões do Brasil. Em sínstese, desenvolvimento local pode ser entendido como aquele que compreende a distribuição de renda, a descentralização do poder e o protagonismo local, com o propósito final de promover bem-estar às pessoas que ali vivem.

Em novembro, aproveitando o trabalho realizado pela 15ª turma da disciplina eletiva Formação Integrada para Sustentabilidade (FIS), a P22_ON trouxe os desafios e as perspectivas de uma das indústrias mais desafiadores para a agenda da sustentabilidade – a da moda. Este setor é responsável por impactos profundos e difusos em toda a sua cadeia produtiva, desde a extração da matéria-prima para fabricação de peças até seu descarte final. Os impactos dessa indústria vêm ganhando mais ressonância nas últimas décadas, com o surgimento da chamada fast fashion, que abastece os grandes varejistas internacionais e que resulta no aumento acentuado do consumo de roupas em todo o mundo. A edição contou com a parceria do Instituto C&A, Gol e Banco Itaú.

No fim de 2017, P22_ON trouxe os resultados da primeira chamada de casos de Soluções baseadas na Natureza (SbN) no Brasil, realizada pelo FGVces em parceria com a Fundação Grupo Boticário e o Ministério do Meio Ambiente. Nos últimos anos, diversas iniciativas surgiram ao redor do mundo que buscam enfrentar problemas e desafios contemporâneos, como o avanço do nível do mar e a escassez hídrica, inspirados em sistemas e processos naturais, observados em ecossistemas saudáveis – as chamadas SbN. Essa edição de P22_ON apresenta 15 casos brasileiros, organizados em tipos de solução para demandas específicas da sociedade: oferta de recursos hídricos, gestão municipal, cadeias produtivas, qualidade da água, e ambientes marinhos.